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AFIRMA COMISSÃO PELA VERDADE E JUSTIÇA DE PORTO RICO
Morte de Ojeda Ríos é um
assassinato político
“COM grande indignação e
espanto”, a Comissão pela Verdade e Justiça de Porto
Rico denunciou, em 25 de setembro, que a execução do
líder revolucionário Filiberto Ojeda Ríos, em 23 de
setembro, pelo FBI, “é, sem dúvida, um assassinato
político”.
“No decurso de nossa história, o
FBI tem sido instrumento de repressão
político-policial contra o movimento independentista
porto-riquenho”, afirmou a Comissão num comunicado
em San Juan.
“Durante a repressão contra o
movimento nacionalista, nas décadas de 30, 40 e 50,
foi instrumento para fichar e perseguir os
nacionalistas porto-riquenhos. Mais em diante, foi
responsável pela criação da Divisão de Inteligência
da Polícia, como a organização encarregada de levar
a cabo a perseguição e repressão do movimento
independentista, livrando-se do trabalho sujo e das
atividades ilegais”, acrescenta o documento.
Nos últimos anos, a Comissão pela
Verdade e Justiça tentou esclarecer alguns
assassinatos políticos cometidos em Porto Rico nos
idos dos 70. “Em muitos deles tem presença marcante
o FBI, quer seja no complô e/ou no encobrimento,
quer fazendo vista grossa dos fatos”, indicou a
Comissão, a qual pôs em destaque o assassinato de
Santiago “Chagui” Mari Pesquera, filho do líder
independentista Juan Mari Brás, e as bombas de 11 de
janeiro de 1975, em Mayagüez, que mataram dois
trabalhadores porto-riquenhos.
No comunicado, a Comissão frisou
o assassinato de Carlos Muñiz Varela, o jovem porto-riquenho
de origem cubana assassinado covardemente por ele
tencionar desenvolver as relações entre ambas as
ilhas. Neste caso, o FBI fez todo o possível para
impedir que se descubra a verdade sobre os autores
do crime.
“O caso de Filiberto Ojeda revela
tudo que dissemos nestes anos sobre o FBI e seu
papel como repressor e perseguidor do movimento
independentista porto-riquenho”, sublinhou o
comunicado.
“Com todo seu poder e experiência
na captura de foragidos para prendê-los vivos, no
caso de Filiberto Ojeda Ríos atuaram como carrascos.
De novo, planejaram matar o líder do movimento
revolucionário”.
Esta operação em que Filiberto
Ojeda Ríos foi assassinado publicamente “deve servir
de reflexão para o povo porto-iquenho, o qual deve
exigir que esses assassinatos não fiquem impunes”,
completou o texto. |