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EMPOLGANTE ENCONTRO DE FIDEL COM NGUYEN PHU TRONG
A Renovação não foi uma tarefa
simples
• Comentou
o secretário-geral do Comitê Central do Partido
Comunista, Nguyen Phu Trong, em entrevista com o
jornal Granma
Lázaro Barredo Medina
e Claudia Fonseca Sosa
JUSTO
antes da entrevista com o jornal Granma, na
tarde da quarta-feira, dia 11 de abril, o secretário-geral
do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã,
Nguyen Phu Trong, teve a oportunidade de reunir-se
com o companheiro Fidel Castro e a conversa começou,
precisamente, por suas impressões acerca deste
encontro.
Acabei de retornar da casa do
companheiro Fidel e tivemos uma conversa que durou
quase duas horas. E se tivéssemos tido mais tempo,
teríamos continuado falando.
Hoje vi Fidel mais saudável,
comparado com nosso primeiro encontro em 2010. A
reunião foi muito cordial e muito interessante, sem
nenhum protocolo, como irmãos convivendo na mesma
casa. Fidel segurou minhas mãos por vários minutos e
disse sentir alegria. Nós os vietnamitas sentimos
grande respeito por Fidel e seu povo.
Ao adentrarmo-nos na conversa,
percebemos que temos muitas coisas para refletir.
Fidel falou não só de temas políticos, mas também da
ciência e da técnica.
Fidel lembrou sua visita ao Vietnã,
no ano 1973. Referiu-se a minhas palavras, no ato
político que fizemos no cais Hai Phong e dos
profundos sentimentos de amizade entre Cuba e o
Vietnã.
Quando cheguei, estava acima de sua
mesa o documento da conferência que ministramos na
Escola Superior do Partido Ñico López. Interessou-se
pelo número de cópias que tinham feito do mesmo, e
pela quantidade de líderes políticos que tinham
participado do evento.
Da mesma maneira, avaliou meu
discurso como sugestivo e correto, e quis esclarecer
algumas diretrizes que coincidem com políticas que o
Vietnã tem estado implementando. Quis saber minha
opinião. Disse-lhe que, atualmente, há muitas
pessoas que apenas querem escutar e não refletir.
Também, disse que tinha acompanhado
minha visita através da mídia. Perguntou-me como me
tinha sentido e quis conhecer aspectos sobre minha
visita à província de Pinar del Río. Inquiriu com
detalhe sobre o desenvolvimento agrícola no Vietnã.
Interessou-se por nosso programa de
visita a diversos países da América Latina e, para
minha surpresa, falou de que no dia 14 de abril é o
meu aniversário e perguntou onde estaria nesse
momento.
Em todo momento, Fidel demonstrou
ter uma mentalidade muito clara, com estudos e uma
metodologia muito lógica, muito científica. E temos
certeza de que os líderes têm que ter essas
qualidades, serem concretos.
AS ESTRATÉGIAS DA RENOVAÇÃO
SOCIALISTA
O líder vietnamita ofereceu uma
explicação resumida dos principais passos dados pelo
Vietnã em sua política de Renovação.
Em 1986, quando o Vietnã começou a
implementar a política de Renovação — conhecida
nessa terra asiática como Doi Moi —, muitos pensaram
que o país pretendia abrir mão do socialismo. Desde
então decorreram 26 anos e a história se encarregou
de demonstrar o contrário, porque mediante nossas
experiências, combinando os argumentos teóricos e
científicos do marxismo-leninismo e o pensamento de
Ho Chi Minh, chegamos à conclusão de que apenas o
socialismo pode manter a independência nacional, a
prosperidade e felicidade do povo.
Sob a tutela do Partido Comunista, o
povo vietnamita soube adequar as pertinentes
transformações econômicas ao contexto histórico e às
necessidades concretas da nação, sem sacrificar sua
estabilidade política. Conseguiu resultados
socioeconômicos impressionantes, que o aproximam
cada vez mais do propósito de "construir um Vietnã
dez vezes mais belo".
Porém, para cumprir o sonho de Ho
Chi Minh tivemos que eludir diversos obstáculos,
avançar sem decisões apressadas. Nosso Partido está
ciente de que a transição ao socialismo é uma obra
prolongada, difícil e complicada.
O processo Doi Moi não foi simples.
Desde a década de 1980 até hoje tivemos que caminhar
bastante. De 1981 a 1985, vivemos a etapa que
poderíamos chamar de pré-Renovação, na qual
realizamos diferentes experiências, balançamos a
teoria com a prática, tiramos conclusões. Não foi
até 1986 que ficou estruturada a política de
Renovação. Entre os anos 1980-1981 começamos a
entregar terras aos camponeses, mas não foi até o 6º
Congresso de nosso Partido, em 1986, que o Bureau
Político elaborou a Resolução nº 10, que determinou
a implementação do pagamento pelos resultados reais
do trabalho.
A partir de então, começou a
acelerar-se o desenvolvimento agrícola e permitam-me
dizer-lhes, como um exemplo, que obter um rendimento
anual de 47 milhões de toneladas de arroz, levou
muito esforço e foi algo que teve que ir sendo
consolidado, ano após ano.
Até 1999, estivemos importando
arroz, para satisfazer a demanda da população.
Contudo, naquele ano não só começamos a
autoabastecer-nos, mas já naquela época conseguimos
exportar o primeiro milhão de toneladas de arroz.
No plano industrial aconteceu algo
parecido. Entre 1981-1982 começamos a eliminar o
sistema burocrático, mas as políticas a seguir a
respeito disso não foram aprovadas até 1986. Não foi
até 1991 quando se começou a falar de economia de
multicomponentes, de produção de mercadorias, e de
economia de mercado com orientação socialista.
Naquela época, também fomos bloqueados pelos Estados
Unidos (por 20 anos), e não se podia falar de
integração econômica internacional.
E tudo isso sem contar muitos outros
problemas como as sequelas das guerras. Só menciono
um exemplo: até o dia de hoje, ainda milhões de
pessoas continuam sofrendo doenças incuráveis,
centenas de milhares de crianças crescem anormais,
em consequência do agente laranja, dioxina que as
tropas norte-americanas fumegaram durante a guerra.
Segundo especialistas, o Vietnã precisa de 100 anos
ou mais para poder limpar completamente as bombas e
minas que ainda estão enterradas no solo de nosso
país. Como eu disse na conferência na escola Ñico
López, somente na província de Quang Tri, que o
companheiro Fidel Castro visitou em 1973, milhares e
milhares de bombas e minas se encontram sem explodir,
em 45% de suas terras de cultura.
Estes são apenas exemplos da árdua
tarefa que enfrentamos com a Renovação. Contudo, o
mais difícil é mudar a mentalidade geral e
individual no Vietnã, muitos pensaram que as
transformações nos afastariam do socialismo.
Inclusive, falaram de desvios, outros são mais
conservadores. O Vietnã não só conseguiu resultados
econômicos significativos, nestes 25 anos, mas
também resolveu problemas sociais de modo muito
melhor que os países capitalistas, com o mesmo nível
de desenvolvimento. E prova desses resultados é que,
em nosso país, o índice de pobreza, em 1986, era de
75% e já em 2010 despencou para 9,5%. A Renovação
trouxe mudanças muito positivas, melhorou-se
consideravelmente a vida do povo, e isso é
reconhecido nas Nações Unidas, quando se assinala
que o Vietnã é um dos primeiros países que mais
cumpre os Objetivos do Milênio.
E nestes dias de visita em Cuba, nos
quais conversei com seus líderes, penso que estão na
mesma fase. A mudança de mentalidade tem que ser
realizada em todos os patamares, desde o superior
até o básico.
A consolidação da Renovação é um
tema que abordamos no recente 11o
Congresso do Partido, e quanto aos objetivos ou
metas, em longo prazo, vale salientar o propósito do
Vietnã de se converter num país basicamente
industrializado, para 2020. Nossa estratégia de
desenvolvimento desde 2011, até essa data, tem que
se basear em três pilares fundamentais: o
desenvolvimento da infraestrutura, os recursos
humanos e a reforma constitucional.
Com certeza, temos desafios na área
da economia e a integração internacional, na área do
atendimento social, onde devemos enfrentar algumas
limitações e fazer tudo, como eu falei na
conferência, na Escola do Partido, cientes de que o
perigo para um Partido no poder é a corrupção, o
burocratismo, a degeneração, especialmente nas
condições duma economia de mercado. O Partido
Comunista do Vietnã exige ele próprio uma constante
autorrenovação, autorretificação e luta
energicamente contra o oportunismo, o
individualismo, a degradação em suas fileiras e em
todo o sistema político.
OS VÍNCULOS BILATERAIS
Durante a estada na Ilha, Nguyen Phu
Trong manifestou que as relações entre Cuba e o
Vietnã são muito boas, um símbolo da época. Como são
os vínculos entre ambos os partidos, especificamente,
e que projetos de cooperação estão previsto após
esta visita?
Ambos os partidos são o produto de
processos revolucionários e da fusão de diversas
organizações políticas, é um ponto em que Cuba e o
Vietnã concordamos.
Hoje, nos dois países há um sistema
de um único partido. Tanto Cuba quanto o Vietnã se
desenvolvem pelo caminho do socialismo. Continuamos
o legado dos antecessores, em combinação com o
marxismo-leninismo. Somos dois povos firmes, de
muita coragem e bravura na luta. Nossos partidos
estabeleceram, muito cedo, laços de amizade,
solidariedade e cooperação. E continuamos a mesma
lógica, defender nossas respectivas revoluções.
Portanto, nossa união é muito estreita.
Desde muito cedo, tivemos
intercâmbios de experiências de trabalho, de direção,
assim como cooperamos uns com os outros em
diferentes foros e organismos internacionais,
apoiando as causas mútuas. Em 2011, em ambos os
países se realizaram os Congressos do Partido, e ao
concluir o nosso enviamos um funcionário para que
informasse sobre os resultados. O companheiro Raúl
também se tinha oferecido para enviar alguém, fazer
a mesma coisa.
Neste momento, o Vietnã tem a
política de Renovação, e Cuba está aplicando sua
estratégia de atualização do modelo econômico. Ambos
vamos pelo caminho socialista. Temos muitas
similitudes, embora existam condições e
particularidade históricas de cada país e, portanto,
não há nenhuma inconveniência para o melhor
desenvolvimento das relações entre os dois partidos.
Durante nossa estada adotamos o
acordo de intensificar o intercâmbio de delegações,
assim como os encontros bilaterais e a troca de
experiências. Vamos organizar seminários, oficinas
entre os dois países e os dois partidos.
Desejamos continuar estreitando essa
amizade, essa compreensão mútua e respeitosa, para
fortalecer essa relação de irmandade, dando passos
bem sólidos no caminho que temos ambas as nações, na
luta pela independência nacional e o socialismo.
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